Coluna

Dona Ivone Lara, uma joia rara

    Com 70 anos de carreira, ela construiu um legado importantíssimo para o Brasil, para nós, mulheres negras, para os seus admiradores, para quem gosta de samba, para quem resiste, para quem sonha em permanecer vivo

    Eu tenho muito respeito por quem faz samba no Brasil. Mais ainda pelas mulheres negras que conseguiram chegar aos 96 anos de idade defendendo o samba com suor, amor e dedicação, como é o caso da nossa rainha ancestral Dona Ivone Lara.

    Não sou uma especialista nem grande conhecedora de sua obra, mas sempre que ouço uma música de Dona Ivone, numa roda de samba ou em casa, me sinto mais forte e com mais coragem para seguir acreditando num Brasil melhor, com condições mais justas para populações que fundaram este país: os negros e os indígenas.

    Estamos vivendo num tempo em que o Brasil é o país em que mais se mata no mundo. Onde, também, morrem 30 mil jovens por ano, 2.500 por mês, 82 por dia, sete a cada duas horas. Desses mortos, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado com armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.

    PARA CONTINUAR LENDO,
    TORNE-SE UM ASSINANTE

    Tenha acesso ilimitado e apoie o jornalismo independente de qualidade

    VOCÊ PODE CANCELAR QUANDO QUISER
    SEM DIFICULDADES

    Já é assinante, entre aqui

    Yasmin Thayná é cineasta, diretora e fundadora da Afroflix, curadora da Flupp (Festa Literária das Periferias) e pesquisadora de audiovisual no ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro). Dirigiu, nos últimos meses, “Kbela, o filme”, uma experiência sobre ser mulher e tornar-se negra, “Batalhas”, sobre a primeira vez que teve um espetáculo de funk no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e a série Afrotranscendence. Para segui-la no Twitter: @yasmin_thayna

    Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.