Coluna

Depois da tempestade

    Me ocorre agora que o meu infortúnio idiota é uma metáfora natural do que ocorre hoje no Brasil, pra não dizer no mundo

    Diz o ditado que, depois da tempestade, vem a bonança. Mas pude ver com meus próprios olhos que depois da tempestade o que vem é a bagunça, especialmente se você deixou as janelas do seu apartamento abertas ao sair de casa num desses dias abafados de verão, com nuvens enfezadas comendo o firmamento pelas bordas, a indicar tempestade à vista.

    Ao voltar pra casa à noite, constatei que a ventania aquática tinha botado tudo que não pesa mais de uma tonelada de pernas pro ar: papéis, livros, quadros, luminárias e um sem-número de pequenos itens da decoração. E tudo devidamente encharcado pela chuva, o que incluía tapetes, sofás, poltronas, cortinas e camas.

    "O horror tem uma cara", suspirou o tresloucado Coronel Kurtz, vivido por Marlon Brando em “Apocalipse Now”, o filme genial de Francis Coppola. E a cara do horror naquela noite era a visão do meu apartamento devastado pela tempestade.

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    Reinaldo Moraes estreou na literatura em 1981 com o romance Tanto Faz (ed. Brasiliense) Em 1985 publicou o romance Abacaxi (ed. L&PM). Depois de 17 anos sem publicar nada, voltou em 2003 com o romance de aventuras Órbita dos caracóis (Companhia das Letras). Seguiram-se: Estrangeiros em casa (narrativa de viagem pela cidade de São Paulo, National Geographic Abril, 2004, com fotos de Roberto Linsker); Umidade (contos , Companhia das Letras, 2005), Barata! (novela infantil , Companhia das Letras, 2007) , Pornopopéia (romance , Objetiva, 2009) e O Cheirinho do amor (crônicas, Alfaguara, 2014). É também tradutor e roteirista de cinema e TV.

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