Coluna

Transumanos do mundo, uni-vos!

    Uma crônica sobre a jovem Lepht Anonym e a expansão das potencialidades humanas na era digital

    A doce Lepht Anonym, cujo nome real desconheço, é uma jovem escocesa que costumava se identificar como cyberpunk e hacker da pá virada. Hoje, ela prefere se definir como uma adepta teórica e prática do transumanismo, que é uma espécie de filosofia segundo a qual todos podemos e deveríamos expandir as potencialidades cognitivas e perceptivas do nosso corpo por meio da tecnologia digital de ponta. Mas não se trata apenas de lançar mão de computadores pessoais avançados e smartphones incríveis alimentados com aplicativos prodigiosos, e sim de instalar os componentes eletrônicos desses aparelhos diretamente no corpo.

    Pelo menos é o que Lepht Anonym propõe em seu bombadíssimo blog com mais de 600 mil acessos, o “Sapiens Anonym”, cujo lema é: "Meu mundo tornou-se um labirinto de placas de metal, portas lógicas e opiáceos." Em inglês a frase é mais divertida, pois é toda aliterativa. Labirinto (maze/mêize), placas (plates/plêits) e opiáceos (opiates/opiêits) formam sonoridades curiosas na língua de Bill Shakespeare.

    Pra se investir da condição de transumana, dotada de um corpo hightech, nossa cyberpunkinha submete-se a cirurgias domésticas altamente dolorosas para implantar microchips e ímãs em seu corpo, de modo a que se conectem à circuitaria nervosa, ampliando sua capacidade de interagir com o ambiente digital em que vivemos. As fotos dessas cirurgias toscas, disponíveis no site, são puro gore. Prato cheio pra masoquistas. Não é à toa que a garota necessita de opiáceos pra segurar a barra. Mas ela acha que os resultados compensam.

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    Reinaldo Moraes estreou na literatura em 1981 com o romance Tanto Faz (ed. Brasiliense) Em 1985 publicou o romance Abacaxi (ed. L&PM). Depois de 17 anos sem publicar nada, voltou em 2003 com o romance de aventuras Órbita dos caracóis (Companhia das Letras). Seguiram-se: Estrangeiros em casa (narrativa de viagem pela cidade de São Paulo, National Geographic Abril, 2004, com fotos de Roberto Linsker); Umidade (contos , Companhia das Letras, 2005), Barata! (novela infantil , Companhia das Letras, 2007) , Pornopopéia (romance , Objetiva, 2009) e O Cheirinho do amor (crônicas, Alfaguara, 2014). É também tradutor e roteirista de cinema e TV.

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