Coluna

Neuroanatomia da mentira e da rapina

    A Dra. Sharot apenas comprovou o que mais ou menos todo mundo já sabia de forma intuitiva: trair, mentir, roubar e coçar, é só questão de começar

    Em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel mencionou, dia desses, uma pesquisa da University College of London que aponta a estreita relação entre uma determinada estrutura do cérebro, a amígdala (não confundir com as amídalas guardiãs da garganta), e comportamentos desonestos, aí incluído o exercício da mentira contumaz.

    A amígdala cerebral, como acabo de aprender, situa-se nos cafundós dos lobos temporais e é fundamental no processamento das emoções, tais como ansiedade, culpa, remorso, raiva, amor, gratidão, ganância, e mais outros sentimentos que você puder imaginar. Como constataram os pesquisadores do College of London testando voluntários variados, se enfiarem a sua cabeça num scanner por ressonância magnética enquanto você estiver mentindo em proveito próprio ou bolando um esquema pra desviar alguns milhões da Petrobras ou de alguma usina hidrelétrica ou arena da Copa, o scanner vai flagrar as reações da sua amígdala diante da sua desonestidade.

    Na verdade, quanto mais acostumada com as suas falcatruas ela estiver, menos sinais emitirá pro scanner. A indiferença da amígdala é a maior bandeira do caráter da pessoa. Ou falta de. Portanto, se você se envolver com corrupção sistemática, fique longe de uma máquina dessas. Ela pode passar um constrangedor recibo dos seus malfeitos.

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    Reinaldo Moraes estreou na literatura em 1981 com o romance Tanto Faz (ed. Brasiliense) Em 1985 publicou o romance Abacaxi (ed. L&PM). Depois de 17 anos sem publicar nada, voltou em 2003 com o romance de aventuras Órbita dos caracóis (Companhia das Letras). Seguiram-se: Estrangeiros em casa (narrativa de viagem pela cidade de São Paulo, National Geographic Abril, 2004, com fotos de Roberto Linsker); Umidade (contos , Companhia das Letras, 2005), Barata! (novela infantil , Companhia das Letras, 2007) , Pornopopéia (romance , Objetiva, 2009) e O Cheirinho do amor (crônicas, Alfaguara, 2014). É também tradutor e roteirista de cinema e TV.

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