Coluna

Mensagem na garrafa

    Hoje, a telinha do smartphone, repleta de mensagens pessoais e de um turbilhão de imagens e informações e passatempos malucos está ganhando da música de lavada. Tempos modernos, como diria Charlie Chaplin. Irritantemente modernos, diria eu

    Não sei se você já encontrou no mar ou na praia a clássica garrafa com tampa de rolha e um papelucho enrolado lá dentro. Pois eu acabo de encontrar, mas em terra firme, não banhada pelo mar. Foi hoje de manhã, durante minha caminhada quase diária no parque do Ibirapuera, que fica perto de casa. Pra evitar uma alameda apinhada de joggers, ciclistas, skatistas (não poucos rolando e digitando o smartphone), passeadores de cachorro, caminhantes como eu, vários cadeirantes e hordas de destemidos caçadores de Pokémons com seus smarts em punho - aliás, de onde vem esse ridículo acento agudo, se o bagulho é coreano? -, me esgueirei logo que possível por uma aleia com escassos casais de namorados pelo gramado em volta, um deles de garotos gays, mães e babás com crianças, e não muito mais que isso de gente. Se havia algo comum àquelas pessoas todas eram o smartphone na mão de quase todo mundo. “WhatsAppeando”, caçando os absurdos pokemons (sem acento, plís!) e pikachus e pikapaus virtuais pela paisagem, ou vendo pornografia ou fazendo sei lá o quê, o aparelhinho era uma extensão natural daqueles corpos todos. Não vi nenhum bebê e nenhum cachorro cutucando um smartphone. Ainda.

    Reinaldo Moraes estreou na literatura em 1981 com o romance Tanto Faz (ed. Brasiliense) Em 1985 publicou o romance Abacaxi (ed. L&PM). Depois de 17 anos sem publicar nada, voltou em 2003 com o romance de aventuras Órbita dos caracóis (Companhia das Letras). Seguiram-se: Estrangeiros em casa (narrativa de viagem pela cidade de São Paulo, National Geographic Abril, 2004, com fotos de Roberto Linsker); Umidade (contos , Companhia das Letras, 2005), Barata! (novela infantil , Companhia das Letras, 2007) , Pornopopéia (romance , Objetiva, 2009) e O Cheirinho do amor (crônicas, Alfaguara, 2014). É também tradutor e roteirista de cinema e TV.

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