Coluna

Bob Dylan, PhD

    Fico só imaginando o Dylan em casa, na sexta próxima, ou, quem sabe, num palco fazendo o que sabe fazer de melhor, enquanto Patti Smith está lá, sob 20 graus negativos, numa Estocolmo forrada de neve, recebendo seu prêmio

    Grande Patriarca da Rebelião, Alto Sacerdote do Protesto, Imperador dos Dissidentes, Duque da Desobediência, Kaiser da Apostasia, Arcebispo da Anarquia, Porta-Voz da Contracultura.

    Esses eram alguns epítetos que a imprensa, tanto a alternativa quanto a mainstream, pespegava em Bob Dylan em fins dos anos 60 e começo dos 70, quando a juventude universitária botava fogo em carros e arrebentava vidraças na rua, bradando contra a guerra do Vietnã, contra Nixon, contra os cornflakes, contra tudo.

    Dylan odiava essa mala onda, com força e amargura. Ele sabia, claro, que as letras de suas músicas tinham mexido com os ouvidos da moçada e da indústria cultural, mas nunca se viu como líder das massas descontentes e, menos ainda, das despossuídas. No entanto, ele era assediado dia e noite pelos fãs e pela imprensa como se vestisse a carapuça de todos aqueles qualificativos bombásticos. De nada adiantava declarar que ele não era o porta-voz de coisa alguma, que era apenas um músico.

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    Reinaldo Moraes estreou na literatura em 1981 com o romance Tanto Faz (ed. Brasiliense) Em 1985 publicou o romance Abacaxi (ed. L&PM). Depois de 17 anos sem publicar nada, voltou em 2003 com o romance de aventuras Órbita dos caracóis (Companhia das Letras). Seguiram-se: Estrangeiros em casa (narrativa de viagem pela cidade de São Paulo, National Geographic Abril, 2004, com fotos de Roberto Linsker); Umidade (contos , Companhia das Letras, 2005), Barata! (novela infantil , Companhia das Letras, 2007) , Pornopopéia (romance , Objetiva, 2009) e O Cheirinho do amor (crônicas, Alfaguara, 2014). É também tradutor e roteirista de cinema e TV.

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