Enquanto houver privilégios, haverá corrupção

Aqui no Brasil, falamos muito sobre corrupção, mas pouco sobre privilégios. O problema é que nunca haverá uma solução para aquela enquanto não nos livrarmos destes

Boys’ night

É sempre muito bem-vinda qualquer chance de respirar um pouco fora do aluvião de contas a pagar e das incertezas financeiras acerca do famoso dia de amanhã, em meio a uma fila de projetos em eterno stand-by

Sobre o visível e invisível

Fotografias, pinturas, gravuras, desenhos têm a capacidade de fixar e de transformar em estereótipo parado no tempo, o que nada tem de óbvio ou estável. Fazem mais: escondem o ruído e passam a sensação de que tudo está em seu lugar e onde há de sempre estar

Os presentes do Estado ao Crime

O crime organizado tem tanto poder no Brasil porque ganha de bandeja do Estado o monopólio sem fiscalização de um mercado lucrativo e um sistema grátis de recrutamento e formação de soldados, as prisões

Em dezembro encontrei Vera, Maeve e Anna

O que todas nós tínhamos em comum: nos construímos socialmente como mulheres e trabalhamos num campo majoritariamente masculino e machista

Uma outra lógica

Vou arriscar um exercício de imaginação: e se pudéssemos virar de ponta-cabeça nosso sistema de educação?

Depois da tempestade

Me ocorre agora que o meu infortúnio idiota é uma metáfora natural do que ocorre hoje no Brasil, pra não dizer no mundo

O caso de Jean Wyllys ou dois pesos e duas medidas

O que se discute é um processo de mais longo curso. Como efetivamente enfrentar a homofobia? Como fazer valer direitos da comunidade LGBT? Como lidar com um modelo que padece de dois pesos e duas medidas?

Sobre reconstruir o Brasil

O ano acabou, e não vai deixar saudades – que deixe ao menos lições

O samba e o seu poder de regeneração

É claro que final de ano, parece que algo bate na gente: há uma tendência pela positividade, uma crença coletiva de que o ano que vem vai ser melhor, que as coisas vão melhorar

O marketing e a morte

Isso que o prefeito eleito de São Paulo pretende fazer tem nome e número: artigo 121, parágrafo 4º do Código Penal, homicídio culposo. Aumentar as velocidades das marginais não é só um erro - é também um crime

Neuroanatomia da mentira e da rapina

A Dra. Sharot apenas comprovou o que mais ou menos todo mundo já sabia de forma intuitiva: trair, mentir, roubar e coçar, é só questão de começar

Quando faltam palavras e sobra assombro: 2016, o ano que não quer acabar

Em geral faltam termos quando nos escapa a situação. E pior; no lugar daqueles mais usuais, muitas vezes surgem outros, com uma velocidade e urgência impressionantes

Feliz 2037, Brasil

Nenhum país do mundo conseguiu dar grandes saltos de desenvolvimento sem investir massivamente em educação. Agora, ficou difícil ver essa transformação acontecer no Brasil na duração de minha vida

Uma sala para a gente dançar

Os desejos eram sobre dormir em paz, que o som violento ouvido diariamente por eles e elas se transformasse em festa, funk, suor, prazer

No fundo, a crise é de confiança (como sempre, aliás)

A confiança nos outros sempre foi um problemão no Brasil. Aí, em 2016, piorou. Como sair dessa?

Bob Dylan, PhD

Fico só imaginando o Dylan em casa, na sexta próxima, ou, quem sabe, num palco fazendo o que sabe fazer de melhor, enquanto Patti Smith está lá, sob 20 graus negativos, numa Estocolmo forrada de neve, recebendo seu prêmio

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura: finalmente Lima vai invadir a Flip

Garanto que esse vai ser um autor 'fora da curva'. Negro por origem, opção e literatura, Lima Barreto combateu o darwinismo racial, os racismos de uma forma geral, o preconceito existente por aqui e nos EUA

Interesse público não é a mesma coisa que opinião pública

De uma alta autoridade da República não se espera que gaste tempo com bobagens insignificantes, como o interesse público

A Cidade de Deus e de Cesar

Você ia mesmo amar esse braço que te leva para a delegacia, mesmo sem ter visto você fazendo nada, e alega que você é um suposto traficante?

A esquerda, a direita e o sexo dos anjos

Estado e mercado não são alternativas excludentes. São duas dimensões inevitáveis na vida de qualquer país. E precisam aprender a trabalhar juntos

Transumanos do mundo, uni-vos!

Uma crônica sobre a jovem Lepht Anonym e a expansão das potencialidades humanas na era digital

Olhar e não ver. Pequena etnografia desastrada durante o dia de eleição nos EUA

Democracia implica não apenas reconhecer iguais, mas lidar e enfrentar a diferença. E talvez a época peça para que a gente resista e exerça uma salutar vigilância republicana sobre os ‘outros’, mas também sobre ‘nós mesmos’

Eles todos são uns cretinos

Subitamente, bilhões de mentes humanas estão separando o mundo inteiro entre amigos íntimos – de quem toleramos tudo e amamos incondicionalmente – e inimigos mortais – que não estamos dispostos a sequer ouvir e queremos ver esmagados

Sobre deixar transcender o que se é para ser

Tenha um norte, todos nós temos de saber para onde queremos ir. Se não sabemos, viramos coisas

Um óvni ao cair da noite

Alguém falou em óvni. Outro, mais americanizado, tinha certeza que se tratava de um ufo. Todo mundo na rua parou pra ver aquilo. Motoristas brecavam seus carros e punham a cabeça pra fora da janela

Dança das palavras

A 'democracia' anda mesmo na boca de todos e virou figurinha fácil. E de tanto ser acionada, ela quase perdeu seu sentido

Tonho nas nuvens

Uma crônica sobre a história de Salvador, Gregório, Vieira e um grande escritor, Tonho

Dalton Paula ou a arte de criar territórios negros e silenciosos

Num país de maioria negra e mestiça, ainda temos uma representação absolutamente desproporcional de artistas negros. Não me refiro apenas à cor e à origem. Mas, sobretudo, a uma arte negra, porque impactada por temas da negritude, como faz Lima Barreto para o caso da literatura, e Dalton Paula nas artes plásticas

Etiqueta amorosa

Algumas questões sobre relacionamentos, primeiros encontros e o sentimento entre insegurança e excitação

O nariz presidenciável

Era mesmo aquele nariz fibrilante debaixo do topete em cascata o que mais chamou a atenção do democrata e de toda uma legião de internautas que se dedicam a desconstruir o embusteiro Donald Trump

Eu acredito! (na educação plural)

O que não pode estar em jogo, seja lá qual for nossa reforma (necessária) do ensino médio, é uma hierarquia silenciosa entre disciplinas, com algumas sendo consideradas ‘incontornáveis’, e por isso mandatórias, e outras ‘contornáveis’, e por isso passíveis de eleição

Hamlet na varanda

Pra iniciar essa viagem de volta no tempo com o intuito de encontrar minhas almas anteriores, formulei a singela questão: quem era eu e o que estava fazendo há 15 minutos?

São Paulo continua de pé

Uma crônica sobre a cidade, o vapor metálico, a galeria Metrópole, a Síria e outras coisas mais

Conselho de graça ou como ser nobre no Brasil

Anotando bem os termos do discurso de nosso atual chefe de Estado, sobretudo quando no exterior, foi impossível deixar de lembrar da estrutura dos contos de fadas e das saídas políticas implementadas por nossos reis de carne e osso

500 anos de ‘Utopia’

A narrativa que Thomas More publicou em 1516 tem uma moldura ficcional sem grande importância que serve apenas de pretexto para a exposição das ideias e ideais de teor igualitário de seu autor

Floripa a bordo de um boteco genial

Visitando amigos, a história e a gastronomia de Florianópolis

Independência ou morte: ecos do Ipiranga

Independência é ainda nos dias de hoje um mote bom de imaginar e difícil de lograr. Nesse 7 de setembro de 2016 o tema esteve novamente em pauta, fazendo com que muitos brasileiros refletissem sobre nossos vários processos de emancipação e outros que virão

Eu e você

De certo, sei apenas que você está aí, olhando pra essa tela iluminada com olhos de ver, como redundou o poeta

Antropo­gastro­nomia

A verdade é que, se você reparar bem, volta e meia se vê uma cena de canibalismo até no horário nobre da TV

Quando a fotografia é testemunha

Testemunhar é ato de suportar a solidão de uma responsabilidade e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade desse lugar, agora repleto de solidão

Manaus não há mais

Ao chegarmos ao nosso destino, ficou patente o quanto o meu amigo Manaus não se reconhece mais na Manaus que o viu nascer. Já não existem mais os charmosos igarapés que cortavam a cidade à maneira dos canais de Veneza

O som do silêncio: uma nota sobre a abertura dos Jogos Olímpicos de 2016

Por que é que o Brasil, em eventos internacionais desse tipo, sempre mostra apenas seu lado mais exótico, e, sobretudo, repisa a imagem de povo pacífico que resolve tudo na base da ‘cordialidade’?

Jogo de soma ‘sem’: escolas com (muitos) partidos

Talvez o pior cenário do ‘Escola sem partido’ seja aquele propositadamente omitido. Ao criar um suposto bode expiatório adia-se, mais uma vez, um debate já muito atrasado e urgente entre nós, sobre a qualidade do ensino no Brasil e seus inúmeros desafios

Agruras da tocha olímpica no Brasil ou como bem ‘inventar uma tradição’

Símbolos não são aleatórios e a chama dos gregos continua a encantar a utopia de uma irmandade internacional, por mais que essa realidade encontre-se, muitas vezes, distante

Afeto e violência: sobre mães negras, amas de leite, e babás

Num sistema que supõe a posse de uma pessoa por outra, não há como imaginar qualquer lado positivo ou redentor

Segredos conhecidos: mulatas em verso e prosa

Afinal, o que dizemos quando falamos das “nossas mulatas”? Nesse terreno há muito espaço para o não dito e para a expressão da lógica perversa do estereótipo

Confissões líricas do pior aluno da rede pública

Há mais de meio século eu também estava sentado numa escola estadual paulista, "a" Caetano de Campos, considerada modelo na época

A Depressão Econômica e Santa Teresa de Ávila

Ao invés do ajuste e das reformas, quando seu custo seria bem menor, adotamos medidas oportunistas, ao encontro das demandas de diversas lideranças empresariais

Fantasmas do presente

Dos brasileiros com medo de violência policial, maioria são jovens, pretos autodeclarados e moram na região Nordeste