A condição mental dos trabalhadores de saúde durante a pandemia

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Este paper, publicado na Revista Política e Sociedade, analisa as condições e vivências de trabalhadores de saúde durante a pandemia de covid-19 no Brasil. O estudo identifica os danos mentais causados pela situação de urgência sanitária, como depressão, ansiedade, medo e sobrecarga de trabalho.

Foram ouvidos 126 profissionais entre 2020 e 2021. Segundo a pesquisa, os trabalhadores brasileiros da área têm vivido um contexto de exaustão e precarização das condições de trabalho, demandando urgentes políticas públicas de suporte à saúde e proteção social.

A qual pergunta a pesquisa responde?

Como ficou a saúde mental de profissionais de saúde durante a pandemia de covid-19?

Por que isso é relevante?

O levantamento estabeleceu o panorama dos adoecimentos e possíveis afastamentos destes profissionais que trabalharam na linha de frente contra a covid por questões de saúde mental.

Resumo da pesquisa

O estudo analisa a organização, as condições, as vivências e os processos laborais de trabalhadores de saúde durante a pandemia de covid-19 no Brasil. Trata-se de uma pesquisa de metodologia mista, que teve como instrumento um questionário com questões abertas e fechadas, aplicado entre maio de 2020 e junho de 2021. Os dados foram analisados através de estatística simples e análise temática. Participaram da pesquisa 126 trabalhadores de saúde e os resultados apontaram que estes estão trabalhando mais, realizando mais horas extras, fazendo mais atividades domésticas e cumprindo os mesmos prazos e metas de antes da pandemia. Diante das vivências impostas pelo cenário atual foram identificados sintomas relacionados à depressão, ansiedade, medo e sobrecarga de trabalho.

Quais foram as conclusões?

Trabalhadores de saúde no Brasil têm vivido um contexto de exaustão e precarização das condições de trabalho, demandando urgentes políticas públicas e organizacionais de suporte à saúde e proteção social.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Profissionais de saúde mental nas universidades e instituições de saúde pública e privada.

Bruno Chapadeiro é psicólogo, professor-adjunto do Departamento de Psicologia de Volta Redonda da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pós-doutorado em Saúde Coletiva pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Carmem Regina Giongo é psicóloga, professora no curso de mestrado em psicologia da Feevale, doutora e pós-doutora em psicologia social e institucional pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Karine Vanessa Perez é psicóloga, professora do mestrado profissional de psicologia na Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul). Doutora em psicologia social e institucional pela UFRGS. Tem estágio pós-doutoral na UQAM (Canadá)

Referências:

  • ASSUNÇÃO, A. da Ávila. 21. Condições de Trabalho e saúde dos Trabalhadores da saúde. Saúde do trabalhador na sociedade brasileira contemporânea, p. 453-478, 2011.
  • CHAPADEIRO, B. Editorial: Saúde De Trabalhadores Da Saúde Em Meio À Pandemia Da Covid-19. Revista Laborativa, v. 9, n. 1, p. 1-4, 2020.
  • GALLASCH, C. et al. Prevalência de testagem para Covid-19 entre trabalhadores da saúde atuantes na assistência a casos suspeitos e confirmados. Rev Bras Med Trab, v. 19, n. 2, p. 1-5, 2021.
  • RIBEIRO, F. S. Quando a Saúde do Trabalhador era mais que EPI e Nota Técnica. In:
  • VASCONCELLOS, L. C. F. (org.). Coluna opinião: livro 1. São Paulo: Assertiva Editorial, 2021. p.47-69.

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