A relação entre memória coletiva e espaço geográfico

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. A maior parte dos nossos conteúdos são exclusivos para assinantes. Aproveite para experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

Este paper, desenvolvido por Otávio Augusto Alves dos Santos e publicado no Boletim Goiano de Geografia, periódico da IESA/UFG (Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás), analisou a relação entre memória e espaço, partindo do ponto de vista histórico-materialista.

Segundo o autor, as coisas objetivas criadas pelo homem através do seu trabalho estão carregadas de significados individuais e sociais, que servem como referenciais de sua memória. No entanto, quando elas são transformadas em mercadorias, deixam de ser essa referência.

Qual pergunta a pesquisa responde?

Qual a relação entre a memória coletiva (ou social) e o espaço geográfico?

Por que isso é relevante?

A memória é geralmente compreendida pelas ciências humanas como um fenômeno meramente mental, sem qualquer relação com o mundo objetivo. Na maioria das vezes, apenas relações sociais passadas são consideradas, e os espaços onde tais relações ocorreram são menosprezados.

A memória, no entanto, possui uma forte relação com a materialidade. Trata-se de um ponto de vista já defendido por outros pensadores, como o sociólogo francês Maurice Halbwachs, mas que deve ser revisto sob o ponto de vista histórico-materialista.

Resumo da pesquisa

A partir de levantamento e análise bibliográfica e partindo de uma perspectiva histórico-materialista, defende-se a visão segundo a qual as coisas objetivas criadas pelo homem através de seu trabalho, e o espaço que é constituído pelo conjunto desses objetos, são fortemente absorventes de significados, sendo neles introduzidas as memórias e as relações sociais.

Quais foram as conclusões?

O espaço geográfico, que é o conjunto de tudo aquilo que a sociedade produz, funciona como referencial da memória individual e coletiva. Quando tomado como simples mercadoria, no entanto, esse espaço deixa de ser esse referencial para a memória, levando a concluir que existe uma cisão entre a particularidade do objeto/espaço-como-memória e a generalidade do objeto/espaço-como-mercadoria.

Isso nos ajuda a refletir sobre os limites necessários da mercadificação do espaço e de tudo o que nele contém, mostrando-nos como o capitalismo tende a nos despojar daquilo que é mais essencial para a nossa memória e consciência. Na medida em que qualquer coisa pode se tornar mercadoria, o que nos resta para alicerçar nossas memórias?

Quem deveria conhecer seus resultados?

Estudantes e pesquisadores das áreas das ciências humanas, especialmente da geografia, história, sociologia e antropologia.

Otávio Augusto Alves dos Santos é doutor em Desenvolvimento Urbano. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e líder do Grupo de Pesquisas em Ecologia Política e Direito à Cidade.

Referências:

  • ABREU, M. A. Sobre a memória das cidades. In: FRIDMAN, F; HAESBAERT, R. Escritos sobre espaço e história. Rio de Janeiro: Garamond, 2014, p. 27-54
  • HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2003
  • LUKACS, G. Para uma ontologia do ser social I e II. São Paulo: Boitempo, 2012 e 2013
  • PROUST, M. Em busca do tempo perdido I: o caminho de Swann. Porto Alegre: Globo, 1981
  • STALLYBRASS, P. O casaco de Marx: roupas, memórias, dor. 3.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.