A experiência gerada pela mescla de imagens fixas e em movimento

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Esta dissertação de mestrado, desenvolvida por Raquel Assunção Oliveira, na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), analisou as sensações produzidas por obras que borram as fronteiras entre as imagens fixas e em movimento para proporcionar uma experiência estética diversa.

A pesquisa analisou produções de artistas visuais e cineastas para mostrar como a comunicação é um campo de estudo híbrido por excelência e dialoga com diversas áreas de conhecimento.

A qual pergunta a pesquisa responde?

Que tipo de experiência as imagens fixas e as imagens em movimento proporcionam ao borrar as fronteiras que tradicionalmente as separam?

Por que isso é relevante?

O trabalho propõe um encontro entre teorias, conceitos e objetos de diferentes campos do saber, como a filosofia, as artes visuais e o cinema. Com isso, defende que o que há de mais específico na comunicação é precisamente o encontro com as outras áreas.

Resumo da pesquisa

O estudo atravessa algumas das diversas maneiras pelas quais as artes e os processos comunicacionais entram em contato. Para isso, investiga as obras de um conjunto de artistas e cineastas, dentre as quais destacam-se as do pintor americano Edward Hopper autor de quadros como “Night Windows” (1928), “Gas” (1940) e “Office at Night” (1940) e as do cineasta sueco Roy Andersson, diretor da “Trilogia do Ser Humano”, composta pelos filmes “Canções do Segundo Andar” (2000), “Vocês, os Vivos” (2007) e “Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência” (2014).

A pesquisa parte da hipótese de que as obras apresentadas, pelo manejo de recursos de “lentidão” ou evocação do movimento, provocam no espectador uma sensação de apreciação estética que não é nem a vivida na contemplação das imagens fixas, nem das imagens em movimento. Para tanto, coloca em perspectiva algumas das várias noções de tempo que tivemos ao longo da história, explicitando como o tempo é, na verdade, uma construção sociocultural.

Do ponto de vista metodológico, destaca-se, dentre outras ferramentas, o trabalho com o “artesanato intelectual”, do sociólogo C. Wright Mills, um modo de produção do conhecimento em que o trabalho do cientista, semelhante ao de um artesão, consiste em realizar uma bricolagem entre produção intelectual e experiência pessoal.

Quais foram as conclusões?

A pesquisa traçou um perfil social dos trabalhadores da cultura no Brasil. Esse grupo é constituído, na sua maioria, por mulheres, pessoas brancas e com nível superior.

As peças artísticas investigadas, ao borrarem as fronteiras que tradicionalmente separam as imagens fixas das imagens em movimento por meio de diferentes recursos estéticos e narrativos, produzem uma experiência sensível de duração no espectador. Ou seja, proporcionam um modo de experienciar o tempo que diverge do cronológico, possibilitando sensações subjetivas de lentidão ou aceleração do movimento naqueles que assistem ou veem as peças.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Pesquisadores, professores e estudantes nas áreas de comunicação, cinema, artes visuais e filosofia interessados em investigar os hibridismos entre as linguagens visuais estáticas e em movimento. Artistas e cineastas em geral.

Raquel Assunção Oliveira é potiguar, professora, pesquisadora e publicitária. Doutoranda em Estudos da Mídia pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Mestre em comunicação pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Especialista em cinema e Bacharel em publicidade e propaganda pela UFRN. Designer Gráfico pela UnP (Universidade Potiguar).

Referências:

  • BERGSON, Henri. Matéria e Memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
  • DEWEY, John. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
  • FLORES, Laura González. Fotografia e pintura: dois meios diferentes?. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
  • LISSOVSKY, Mauricio. A máquina de esperar: origem e estética da fotografia moderna. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008.
  • WHITROW, G. J. O tempo na história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

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