O papel das plataformas digitais no combate à depressão

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Esta dissertação de mestrado, elaborada por Mariana Sousa Batista, na Universidade do Porto, em Portugal, analisou o perfil das pessoas que se informam sobre a depressão a partir de plataformas digitais e como esses websites podem ajudar no enfrentamento da estigmatização da doença.

Para reunir informações sobre o público-alvo do estudo, a pesquisadora criou uma plataforma digital chamada “ForteMENTE: O Portal da Depressão”, com conteúdos sobre a doença, de modo a esclarecer dúvidas referentes à saúde mental.

Entre os resultados, Batista destaca que as mulheres foram a maioria entre os visitantes do portal, que teve acessos de usuários de Portugal e do Brasil. Nesse recorte, jovens brasileiros de 18 a 24 anos e portugueses adultos de 45 a 54 anos foram os que mais recorreram ao endereço virtual.

A qual pergunta a pesquisa responde?

Quem busca informações sobre depressão e quais são as formas de comunicação mais eficientes para informar essas pessoas sobre o assunto

Por que isso é relevante?

Um estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde), publicado em 2017, mostrou que cerca de 5% da população mundial era afetada pela depressão à época. Além disso, a doença estava atrelada à média anual de 800 mil mortes decorrentes de suicídios.

A pesquisa também considerou as realidades específicas do Brasil e de Portugal, que, apesar da diferença populacional, possuem taxas semelhantes em relação aos números de casos de depressão. No país latino-americano, a ocorrência é de 5,8%, já no país europeu, de 5,7%.

Apesar da gravidade do tema, a doença ainda é considerada um tabu e um estigma social. Estratégias informativas seriam uma alternativa para diminuir tais concepções negativas, no entanto, estudos mostram que os meios de comunicação são falhos ao divulgar notícias sobre transtornos mentais. A grande mídia e as iniciativas virtuais, como a proposta pelo estudo, têm um papel fundamental para alterar a visão estigmatizada sobre a depressão e combater o preconceito sofrido por quem vive com a doença.

Resumo da pesquisa

A proposta metodológica se baseou em três eixos:

1) Criação do portal “ForteMENTE: O Portal da Depressão”, a fim de divulgar conteúdos especializados sobre o transtorno depressivo em parceria com profissionais de saúde;

2) Elaboração de campanhas de marketing social e impulsionamento de anúncios digitais sobre o tema, com o objetivo de impactar o público-alvo da pesquisa;

3) Análise da “pegada digital” (conjunto de dados armazenados sobre a atividade de um usuário em determinados ambientes digitais) para identificar como as pessoas consumiram as informações no “ForteMENTE: O Portal da Depressão”. Essa investigação comportamental foi feita a partir dos dados reunidos sobre os usuários que acessaram o site de 7 de abril a 15 de setembro de 2021, com o auxílio das ferramentas Google Analytics e Google Ads.

Quais foram as conclusões?

Durante 162 dias, “O Portal da Depressão” foi visitado por 19.380 mil usuários e teve 22.820 sessões (conjunto de ações que o visitante realizou no site), que totalizaram 60.198 visualizações por página.

Em relação ao perfil dos visitantes do website, os acessos vieram de moradores do Brasil e de Portugal, principalmente de grandes metrópoles. Quanto ao gênero, as mulheres foram quem mais visitaram o endereço. Já as faixas etárias dos usuários variaram entre os dois países: os brasileiros que mais acessaram o portal foram jovens entre 18 e 24 anos, enquanto o intervalo de idade que mais se destacou entre os portugueses foi o de adultos de 45 a 54 anos.

A partir da análise desses acessos ao website, foi possível perceber que a maioria dos visitantes procurou respostas sobre sintomas de depressão e informações sobre como diagnosticar a doença. Ou seja, um site como “O Portal da Depressão” pode exercer uma função informativa para um primeiro contato com pessoas que ainda não foram diagnosticadas e até mesmo servir de apoio a quem está com dúvidas.

Outro resultado relevante diz respeito aos interesses desse público, que se identifica com temas ligados à gastronomia, entretenimento, compras, beleza, notícias e lifestyle. Além disso, o público de “O Portal da Depressão” costuma acessar sites relativos a bancos/financiamentos, empregos, veículos usados, à educação, entre outros. Esses dados podem sugerir que parte dessas pessoas buscam empregos e/ou estão em uma situação econômica delicada.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Profissionais de saúde e comunicadores com enfoque em saúde mental; atores dos setores público e privado que busquem iniciativas tecnológicas para auxiliar pessoas com transtornos mentais; professores de marketing e comunicação interessados em tecnologia e ciência.

Mariana Sousa Batista é formada em comunicação social, com ênfase em jornalismo. Pós-graduada em jornalismo literário e mestre pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em Portugal.

Referências:

  • Ameen, S. (2021). Visits to a Malayalam website on mental health: Analysis of seven years’ data. Kerala Journal of Psychiatry, 34(1), 44-53.
  • Andersson, G., & Titov, N. (2014). Advantages and limitations of internet-based interventions for common mental disorders. World Psychiatry, 13(1), 4-11.
  • Cidre Serrano, W., Chren, M., Resneck, J. S., Aji, N. N., Pagoto, S., & Linos, E. (2016). Online advertising for cancer prevention: Google Ads and tanning beds. JAMA Dermatol, 152(1), 101-102.
  • Murphy, A., Peltekian, S., & Gardner, D. (2018). Website analytics of a Google Ads campaign for a men’s mental health website: comparative analysis. JMIR Mental Health, 5(4), e12428.
  • Song, M. J., Ward, J., Choi, F., Nikoo, M., Frank, A., Shams, F., Tabi, K., Vigo, D., & Krausz, M. (2018). A process evaluation of a web-based mental health portal (WalkAlong) using Google Analytics. JMIR Mental Health, 5(3), e50.

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