As representações do corpo masculino na arte contemporânea

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Esta dissertação, elaborada por Gabriela Massote Lima, na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), examinou as representações atribuídas aos corpos dos homens na sociedade, a partir da análise de imagens relacionadas à história da arte, à fotografia e ao cinema.

De acordo com a autora, divulgar imagens de nudez masculina contribui para que padrões estéticos e socioculturais sejam desconstruídos na contemporaneidade. Desta forma, discussões sobre identidade e sexualidade se afastam dos significados históricos atrelados aos corpos masculinos.

A qual pergunta a pesquisa responde?

Quais são os significados e as representações que a sociedade atribui ao corpo masculino? Um modelo e um imaginário desse corpo podem existir além de concepções históricas?

Por que isso é relevante?

A temática é importante por discutir as práticas comportamentais construídas historicamente, que perpetuaram a dominação masculina sobre as mulheres. Além disso, rebate as normas binárias da biologia sobre a determinação de sexo, a fim de denunciar a repetição dos símbolos de virilidade e a persistência de certos ícones imagéticos que ainda reforçam papéis sociais.

Resumo da pesquisa

A pesquisa e leitura de imagens do corpo masculino ao longo da história da arte, da fotografia e do cinema foram as principais ferramentas do processo metodológico, associadas à leitura de textos acadêmicos sobre a teoria de gêneros, assim como jornais e revistas da atualidade.

Para a elaboração discursiva sobre o processo histórico de dominação masculina que perdura por séculos, foram analisadas imagens da nudez masculina desde a Grécia antiga, passando por revistas de fisiculturismo, até chegar aos atuais anúncios de moda. Essas imagens, postas lado a lado, demonstram um ideal de virilidade dos corpos dos homens, o que comprova a representação imagética construída em torno da naturalização do poder masculino. Além de imagens clássicas, imagens homoeróticas contemporâneas também foram examinadas. Apesar de fugirem dos arquétipos da heteronormatividade, elas idealizam e cultuam o corpo masculino.

Em uma outra etapa, a investigação envolveu imagens de artistas contemporâneos e seus corpos desconstruídos, não binários e que subvertem a questão viril.

Considerando a relevância da temática dentro do contexto atual, textos publicados em jornais e revistas – como Época, Vice e Cult – nos anos de 2018 e 2019 foram reunidos para reforçar a importância da divulgação e desmistificação dos corpos nus masculinos, a fim de desconfigurar padrões estéticos corporais impostos que ainda sobrevivem aos dias de hoje.

Quais foram as conclusões?

A divulgação de imagens da nudez masculina na contemporaneidade funciona como estímulo para reconfigurar padrões do conceito de masculinidade e propor um novo regime de identidade de gênero, avançando nas discussões referentes à sexualidade e suas manifestações de maneira mais plural, desassociadas do antigo modo patriarcal de produção de linguagem.

Quem deveria conhecer seus resultados?

A sociedade em geral, sobretudo os homens. Estudantes de teorias de gênero, pessoas que se identifiquem com a questão LGBTI.

Gabriela Massote Lima é bacharela em história da arte na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pós-graduada em fotografia e imagem na Universidade Cândido Mendes. Mestra em imagem e cultura pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou de diversas exposições coletivas, entre elas Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (Belém, 2018), Valongo Festival Internacional da Imagem (Santos, 2018) e Arte como Respiro (Itaú Cultural, 2020).

Referências:

  • BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.

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