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Por que os jovens aderem a serviços da economia colaborativa

Esta pesquisa, realizada na ESPM-SP, investiga os fatores mais relevantes que levam os jovens nascidos na década de 1990 a utilizar serviços da economia colaborativa na vida cotidiana

Esta pesquisa de mestrado, realizada na ESPM-SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo), investiga os fatores mais relevantes que levam jovens nascidos na década de 1990 a utilizar serviços da economia colaborativa na vida cotidiana. O estudo quantitativo foi realizado na região metropolitana de São Paulo.

Entre as conclusões, a autora destaca que a conveniência é a principal razão de adesão, seguida pela motivação financeira. Segundo ela, isso enfatiza a necessidade de tornar os processos mais dinâmicos, simples e eficientes.

A qual pergunta a pesquisa responde?

O objetivo principal deste estudo é elucidar as motivações que envolvem a economia colaborativa, tendo como foco jovens nascidos na década de 1990, os grandes expoentes desse comportamento. Nesse contexto, a problemática investigada por esta pesquisa é: quais são os fatores que motivam jovens da região metropolitana de São Paulo a aderirem aos serviços colaborativos? Diante do exposto, os objetivos específicos são: 1) Entender se os fatores motivacionais mais relevantes para os jovens nascidos na década de 1990 são intrínsecos — impulsionados por iniciativa própria — ou extrínsecos — impulsionados por fatores externos; 2) Entender se os fatores motivacionais mais relevantes são racionais ou emocionais.

Por que isso é relevante?

A prática do compartilhamento e da colaboração está se tornando cada vez mais comum entre as pessoas, o que lhe garante o estatuto de fenômeno não negligenciável. O alcance desse fenômeno é perceptível na mudança de legislações de cidades em sua função, no crescente valor de mercado obtido — na casa dos bilhões de dólares e nos diversos periódicos que têm noticiado o fenômeno da economia colaborativa ao redor do mundo. A economia colaborativa pode vir a ser uma vantagem competitiva para as empresas e uma alternativa para políticas públicas. Há, portanto, grande relevância na compreensão das motivações de sua adesão. No entanto, apesar da crescente importância, o compartilhamento de bens e serviços não tem sido devidamente explorado pela literatura nem pelo mercado. Para Bockmann, a razão pela qual as pessoas veem maior valor no compartilhamento ainda não é clara. Já para Hamari, o recorte do tema carece principalmente de estudos quantitativos. Esta pesquisa, dessa forma, colabora para diminuir essa lacuna.

Resumo da pesquisa

A colaboração deixou de ser somente um valor e tornou-se um modo de viver a vida. Com a ascensão das comunidades virtuais e redes sociais, os indivíduos retomaram princípios e práticas colaborativas que extrapolaram o ciberespaço e passaram a ser aplicadas constantemente à vivência cotidiana. Essa mudança de comportamento tornou-se fenômeno global, transformando a maneira como as pessoas consomem e atribuindo ao compartilhamento o status de economia. Este estudo tem como objetivo entender as motivações que levam à adesão de serviços colaborativos, com foco em jovens nascidos na década de 1990 — que cresceram com o advento da internet. A metodologia quantitativa survey aplicada na região metropolitana de São Paulo contemplou 570 respondentes. Os resultados mostram que há inúmeras barreiras como a cultura arraigada no materialismo e na posse e permitem concluir que a relação do brasileiro, apesar do fortalecimento de valores coletivos, ainda é bastante individual e racional. As principais motivações nessa relação consistem na conveniência, redução de custos e acesso a serviços novos e diferenciados, todas elas associadas a um benefício ou recompensa.

Quais foram as conclusões?

A relação dos jovens da região metropolitana de São Paulo com a economia colaborativa mostrou-se prioritariamente racional e extrínseca, focada em benefícios financeiros e de conveniência. Embora muitos dos propulsores do movimento sejam emocionais como, por exemplo, o altruísmo geracional, a conexão entre pessoas , a adesão aos serviços colaborativos ainda é definida por sua funcionalidade. Conveniência é a principal motivação de adesão, ultrapassando até mesmo a motivação financeira. Isso mostra a importância em tornar soluções, processos e até mesmo a escolha dos consumidores mais fáceis, rápidos e eficientes. Nessa dinâmica, os avanços tecnológicos apresentam um papel crucial. Contribuições para a reputação e imagem dos consumidores apresentaram grande relevância nos serviços colaborativos. Isso está associado ao valor simbólico positivo atribuído à economia colaborativa, comumente relacionada a progresso, inovação, sustentabilidade, tendência.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Este estudo pode interessar a estudantes de novos modelos de consumo, empresas de diferentes portes e segmentos, instituições públicas, políticos e ONGs, uma vez que o diagnóstico permite entender as perspectivas da economia colaborativa dentre os jovens para tomar decisões de políticas públicas e novos modelos de negócios.

Caroline de Souza Ferraz é formada em publicidade e propaganda e mestre em comportamento do consumidor com ênfase em inteligência de dados pela ESPM-SP (Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo). Com a proposta de estabelecer pontes entre o mercado e a academia, desenvolveu estudos para clientes de diferentes segmentos e portes como Unilever, P&G, Motorola, Sony, Coca-Cola, Jeep, Honda, Drogaria São Paulo, Tok&Stok e XP Investimentos. Atualmente, estuda economia colaborativa e suas diferentes manifestações, tendo como foco o comportamento do consumidor brasileiro.

Referências:

  • BARDHI, F.; ECKHARDT, G. M. Access-Based Consumption: The Case of Car Sharing. Journal of Consumer Research, v. 39, 2012.

  • BELK, R.; DEVINNEY, T.; ECKHARDT, G.Why don't consumers consume ethically? Journal of Consumer Behaviour, v. 9, n. 6, p. 426-436, 2010.

  • BELK, R. You are what you can access: Sharing and collaborative consumption online. Journal of Business Research, v. 67, no. 8, p. 1595–1600, 2014.

  • BOCKMANN, M. The Shared Economy: It is time to start caring about sharing; value creating factors in the shared economy. Enschede: University of Twente, 2013.

  • BOTSMAN, R.; ROGERS, R. What’s mine is yours: how collaborative consumption is changing the way we live. Londres: Collins, 2011.

  • HAMARI, J.; UKKONEN, A.; SJÖKLINT, M. The Sharing Economy: Why people participate in collaborative consumption. SSRN Electronic Journal, p. 1–19, 2013.

  • RIFKIN, J. The zero marginal cost society: The internet of things, the collaborative commons, and the eclipse of capitalism. St. Martin's Press, 2014.

  • VAN DE GLIND, P. The consumer potential of Collaborative Consumption. Amsterdam. Research MSc in Sustainable Development, Utrecht University, 2013.

 

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