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Qual o papel da Marcha das Vadias no movimento feminista

Esta pesquisa, realizada na UFRGS, analisa o momento de ruptura da organização da Marcha das Vadias que ocorreu em Porto Alegre, em 2014 para discutir as diferentes perspectivas feministas que se configuravam naquele momento na cidade gaúcha.

 

 

Esta pesquisa, realizada na UFRGS, analisa o momento de ruptura da organização da Marcha das Vadias que ocorreu em Porto Alegre em 2014. A partir das divergências entre membros, a autora propõe uma investigação sobre as discussões políticas e as diferentes perspectivas feministas que se configuravam naquele contexto na cidade gaúcha.

A Marcha das Vadias é uma manifestação que protesta pelo direito das mulheres usarem as roupas e se comportarem da forma que quiserem. Começou em 2011, no Canadá, e desde então se internacionalizou. Entre as conclusões, a pesquisadora destaca que os embates gerados naquele momento, em 2014, fazem parte da construção e do dinamismo do movimento, contribuindo para a manutenção da pluralidade feminista.

A que pergunta a pesquisa responde?

A pesquisa responde que feminismos compuseram o momento de ruptura da Marcha das Vadias de Porto Alegre em 2014 e quais as trajetórias relatadas  pelas pessoas que fizeram parte desse momento, a fim de demarcar marcadores sociais que se conectam com suas identificações feministas.

Por que isso é relevante?

Pensar os feminismos, no plural, é desmistificar a ideia de que existe um feminismo que deve falar por todos, ou um sujeito que, supostamente, representaria os feminismos. A pesquisa aponta o compromisso ético e empático de uma postura feminista, de reconhecer singularidades e seus contextos.

Resumo da pesquisa

Esta dissertação de mestrado partiu de um acontecimento – a ruptura da Marcha das Vadias de Porto Alegre em 2014 – para, a partir das divergências presentes nesse cenário, refletir sobre os atravessamentos políticos e as perspectivas feministas que se configuravam nesse momento, no contexto feminista jovem da cidade. Este trabalho teve como objetivo considerar os diferentes feminismos em disputa a fim de pensar como as experiências das pessoas que compuseram o campo das chamadas “tretas” se interseccionam com a performatividade política. Com a perspectiva etnográfica, foram entrevistadas as personagens que compuseram esse cenário, descrevendo suas trajetórias envolvendo o feminismo, narrativas sobre a Marcha das Vadias e seus desdobramentos. O estudo permitiu identificar que o movimento da Marcha das Vadias teve início a partir de um feminismo plural, mas que ocorreram conflitos que evidenciaram as disputas em relação ao sujeito do feminismo nesse contexto.

Quais foram as conclusões?

Pode-se concluir que os conflitos dos feminismos fazem parte da construção e da dinamicidade do movimento, contribuindo para sua constante transformação e para a manutenção da pluralidade dos feminismos no contexto feminista jovem da cidade.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Qualquer pessoas com alguma afinidade política com o feminismo deve conhecer este trabalho, a fim de desmistificar a ideia de que existe um feminismo "certo". A partir dessa diversidade de feminismos que o trabalho apresenta, relacionando com seus lugares políticos e sociais, é possível fazer o exercício ético de olhar o feminismo enquanto uma luta plural.

Daniela Dalbosco Dell Aglio é graduada em psicologia pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, com especialização em instituições em análise e mestrado em psicologia social e institucional pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Atualmente, é doutoranda no programa de pós-graduação em psicologia social e institucional da mesma instituição.

 

Referências:

  • CRENSHAW, Kimberle. A intersecionalidade da discriminação de raça e gênero. 2002. Disponível em: Acesso em: 05 de fev de 2016.

  • Cruzamento: raça e gênero. UNIFEM, 2004 HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, v.5, p.7-41, 1995.

  • SCOTT, Joan W. Experiência: tornando-se visível. In: SILVA, Alcione Leite et al. Falas de Gênero. Florianópolis: Ed. Mulheres, p.21-55, 1999.

 

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