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Como são as práticas do SUS voltadas para a mobilidade

Esta pesquisa, realizada na Universidade de Loughborough, na Inglaterra, analisa a qualidade do serviço de cadeiras de rodas na saúde pública a partir dos dados do SUS de Belo Horizonte, e aponta dificuldades na implementação de tecnologias assistivas.

Esta pesquisa, realizada na Universidade de Loughborough, na Inglaterra, analisa a qualidade do serviço de cadeiras de rodas na saúde pública a partir dos dados do SUS de Belo Horizonte, e aponta dificuldades na implementação de tecnologias assistivas.

O autor também sugere práticas que possam melhorar tecnologias de inclusão, como  ferramentas que auxiliem na escolha de cadeiras mais adequadas, evitando riscos à saúde, descontinuidade no uso e desperdício de recursos.

A que pergunta a pesquisa responde?

Esta pesquisa avalia os serviços de tecnologias assistivas oferecidos pela atenção secundária do SUS (Sistema Único de Saúde) sob a luz das boas práticas existentes, identificando possíveis barreiras e oportunidades, desenvolvendo recomendações e ferramentas para a implementação dessas boas práticas no SUS. A pesquisa focou nos serviços de cadeira de rodas oferecidos pelo SUS de Belo Horizonte, como estudo de caso para implementação de melhorias nos serviços de tecnologias assistivas em todo Brasil. Tecnologia assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que têm como objetivo promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando a sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

Por que isso é relevante?

O Brasil apresentou na última década diversos avanços para a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Como resultado, houve um aumento significativo na quantidade de tecnologias assistivas entregues pelo SUS, como órteses, próteses e meios de locomoção auxiliares. Como exemplo destes esforços, 36.722 cadeiras de rodas foram entregues pelo SUS em 2011 — em comparação às 19.890 cadeiras entregues em 2008. Cabe ressaltar, no entanto, que todos esses avanços são recentes e que há uma falta de pesquisas e dados disponíveis sobre o funcionamento dos serviços de tecnologias assistivas no Brasil. Não há evidências de que o serviço oferecido pelo SUS faça uso das boas práticas existentes, podendo gerar riscos à saúde de seus usuários, descontinuidade no uso dos aparelhos concedidos e desperdício de recursos . É comum que o uso desse tipo de tecnologia seja descontinuado por razões diversas, como falta de treinamento para uso e manutenção, mas principalmente por falta de consideração das características do usuário na escolha da tecnologia, como fatores do ambiente e estilo de vida.

Resumo da pesquisa

O Brasil apresentou na última década diversos avanços para a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Como resultado, houve um aumento significativo na quantidade de tecnologias assistivas entregues pelo SUS. No entanto, não há evidências de que o serviço oferecido faça uso das boas práticas existentes, podendo gerar riscos à saúde de seus usuários, descontinuidade no uso dos aparelhos concedidos e desperdício de recursos. Esta pesquisa-ação avaliou o serviço de cadeira de rodas oferecidos pelo SUS de Belo Horizonte sob a luz das boas práticas existentes, identificando as barreiras e oportunidades e desenvolvendo ferramentas que introduziram as boas práticas na rotina do serviço. Os resultados desmistificam a hipótese levantada pelos participantes de que o uso de protocolo de avaliação acarreta o aumento significativo no tempo médio de atendimento. Os resultados corroboram achados de outros autores de que é fundamental o envolvimento dos participantes para a implementação efetiva de ferramentas e recomendações em serviços de saúde. A pesquisa realça a importância da pesquisa participativa aplicada no serviço público a fim de promover melhorias baseadas em evidências.

Quais foram as conclusões?

Em geral, houve boa receptividade para utilizar as ferramentas propostas. Houve um pequeno aumento no tempo médio de atendimento quando utilizando o formulário de avaliação, no entanto, tal aumento não atingiu significância estatística . Os resultados desmistificam a hipótese levantada pelos participantes de que o uso de formulário de avaliação acarretaria o aumento significativo no tempo médio de atendimento de forma a dificultar sua utilização. Parte das ferramentas já foram adotadas pelo SUS de Belo Horizonte de forma a já beneficiar milhares de usuários na escolha de cadeiras de rodas mais adequadas, evitando riscos à saúde de seus usuários, descontinuidade no uso dos aparelhos concedidos e desperdício de recursos públicos. Um sumário executivo contendo os resultados, ferramentas desenvolvidas e recomendações para o serviço foi desenvolvido e apresentado para as partes interessadas. A pesquisa demonstra a importância de parcerias entre instituições acadêmicas e o serviço público a fim de promover melhorias participativas baseadas em evidências.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Gestores da saúde e dos centros de reabilitação do SUS, como Centro Especializado em Reabilitação, CReabs e similares, pessoas que trabalham em serviços de tecnologia assistiva e cadeira de rodas.

 

 

Túlio Pereira dos Santos Maximo é designer e ergonomista com foco de trabalho na inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Tem graduação em  desenho industrial pela Universidade do Estado de Minas Gerais,  mestrado científico em ergonomia para o design inclusivo e doutorado em tecnologias assistivas pela Loughborough University. É  professor assistente na área de design inclusivo e tecnologias assistivas na escola de design da The Hong Kong Polytechnic University, na China.

 

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