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Quais as características do jornalismo financiado coletivamente no Brasil

Esta pesquisa, realizada por Júlia Galvão na Universidade Federal da Bahia, investiga a produção de conteúdo jornalístico de três projetos sustentados por financiamento coletivo entre 2011 e 2015.

 

 

Esta pesquisa, realizada na Universidade Federal da Bahia, investiga a produção de conteúdo jornalístico feita por meio de financiamento coletivo. Foram analisadas três iniciativas realizadas entre 2011 e 2015: os sites Cidades para Pessoas e Jornalistas Livres e a seção Reportagem Pública da Agência Pública.

Entre as conclusões, a autora destaca que os projetos sustentados via crowdfunding dão maior visibilidade a pautas vinculadas aos direitos humanos. E também aponta mudanças no modelo dessas redações, como os casos em que o público influencia o tipo de conteúdo produzido.

A que pergunta a pesquisa responde?

Quais são as características do jornalismo financiado coletivamente?

Por que isso é relevante?

Isso é importante porque atravessamos, há alguns anos, uma crise financeira e de credibilidade no jornalismo. O crowdfunding surge como possibilidade de realização de diversos projetos. Em jornalismo, especificamente, ele aparece não só como uma tendência, mas como uma promessa, uma maneira de viabilizar projetos cujo financiamento esteve atrelado à receita de publicidade dos grandes veículos de mídia, que estão, como já sabemos, fragilizados pela crise de credibilidade e sobretudo pela vulnerabilidade da economia. Conhecer que tipo de jornalismo é produzido por financiamento coletivo é uma maneira de entender por que o jornalismo tradicional está encontrando dificuldade em se pagar.

Além disso, é uma pesquisa que revela dados sobre a audiência desses veículos tanto quanto dados sobre a economia política do jornalismo de uma maneira geral, mais abrangente do que se olharmos somente a atividade dos três sites analisados no trabalho. Por isso é um estudo de caso: porque, por meio dessa amostra, busca-se compreender o cenário como um todo.

Resumo da pesquisa

Esta pesquisa aborda a produção noticiosa financiada coletivamente no Brasil por meio do estudo de caso dedicado a observar a atividade de três sites jornalísticos. Os sites Cidades para Pessoas, Reportagem Pública e Jornalistas Livres tiveram sua atividade analisada, a fim de atender ao objetivo da pesquisa, de compreender as propriedades do jornalismo financiado por crowdfunding no Brasil. Além da observação empírica dos casos, os resultados desta pesquisa se apoiam também nas entrevistas realizadas com os idealizadores de cada site estudado. Os conceitos-chave nos quais esta pesquisa se apoia são: convergência, inteligência coletiva, inovação e modelo de negócio, além dos conceitos e teorias do jornalismo, que fundamentaram os pressupostos. Partiu-se do pressuposto de que o jornalismo financiado por crowdfunding parecia acentuadamente dedicado às pautas dos direitos humanos, o que afinal pôde ser confirmado.

Quais foram as conclusões?

Concluímos que o jornalismo financiado coletivamente é mesmo mais sensível às pautas dos direitos humanos, dando para esse assunto mais visibilidade, usando um tom de denúncia, cobrando informações de instituições políticas e/ou grandes grupos de mídia. Nota-se também que a atividade jornalística desses sites trabalha dentro de lógicas diferentes, com mais liberdade e independência, como era de se esperar, dado o formato de financiamento. Outra conclusão é que esse modelo de negócio para o jornalismo acaba por tornar-se uma característica desses veículos, mais do que apenas uma forma de viabilizar o projeto, tamanha a interferência do público, em alguns casos, no resultado final.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Dados os resultados da pesquisa, acredito que ela se direciona especialmente a pesquisadores e consumidores do jornalismo, entusiastas e instituições de jornalismo independente e alternativo, além de grupos de mídia e outros players do mercado de informação.

 

Júlia Galvão de Almeida é formada em comunicação social - publicidade e propaganda pelo Centro Universitário Estácio da Bahia. Cursou MBA em marketing na Faculdade Ruy Barbosa e tem mestrado em comunicação e cultura contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. 

Referências:

  • JENKINS, Henry. Cultura da convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.

  • LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 2003.

  • HOWE, Jeff. O poder das multidões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

 

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