Paper: Avaliação da Aplicabilidade de Índices de Poluição Aquática: Estudo de Caso no Rio Paraibuna (Juiz de Fora, MG, Brasil)

Autores

Ricardo Soares, Instituto Estadual do Ambiente (INEA)

Lattes

Wilson Thadeu V. Machado, Universidade Federal Fluminense

Lattes

David V. B. de Campos, Embrapa Solos

Lattes

Maria Inês C. Monteiro, CETEM

Lattes

Aline S. Freire, UFRJ

Lattes

Ricardo E. Santelli, UFRJ

Lattes

Área e sub-área

Química, Química Ambiental

Publicado em

Revista Virtual de Química - dezembro de 2016

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Esta pesquisa buscou analisar do ponto de vista químico qual o nível de poluição nas águas superficiais de um trecho do rio Paraibuna, na cidade de Juiz de Fora.

O pesquisador Ricardo Soares e os coautores do artigo concluiram que as indústrias de curtume e metalúrgicas são as principais poluidoras dos rios. No rio Paraibuna, o autor encontrou doses altas de cálcio, cádmio, cobre, manganês, sódio e zinco, que fazem com que as águas sejam impróprias para  consumo humano.

A qual pergunta a pesquisa responde?

A introdução descontrolada de poluentes no ambiente aquático é atualmente um dos problemas que devem ter atenção prioritária para a preservação de fontes de água potável em muitos países ao redor do mundo, quer sejam desenvolvidos ou em desenvolvimento. A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, apresenta grande vocação industrial desde o início do século 20, sendo conhecida popularmente  como a “Manchester brasileira”. Entretanto, esse desenvolvimento tem se demonstrado ambientalmente insustentável. Na década de 1980 entrou em operação uma indústria hidrometalúrgica, no bairro de Igrejinha, situado no distrito-sede do município de Juiz de Fora que é cortado pelo rio Paraibuna. Ao que tudo indica, passados mais de 30 anos da inauguração, a metalúrgica continua poluindo os diversos compartimentos ambientais da cidade de Juiz de Fora, e em 2009 foi apontada como a responsável pela poluição por metais e sulfato nos solos de Juiz de Fora. O objetivo deste estudo foi avaliar o status atual da poluição nas águas superficiais de um trecho industrial do rio Paraibuna.

Por que isso é relevante?

A escolha da área de estudo se deve à existência de um grande número de relatos na literatura que identificam fontes pontuais de contaminação que afetam significativamente importantes corpos hídricos locais no Estado de Minas Gerais. O trecho do rio Paraibuna escolhido como estudo de caso representa cenários impactados tanto por fontes pontuais industriais, quanto por fontes difusas de esgotos domésticos.

Resumo da pesquisa

Águas superficiais contaminadas por metais podem configurar sério risco à saúde pública e ao meio ambiente. A cidade de Juiz de Fora possui uma longa tradição industrial, merecendo destaque a existência de curtumes (processamento de couro) e de uma metalúrgica que despejam efluentes sem tratamentos adequados nos córregos e rios da região. Neste trabalho, os resultados obtidos foram estatisticamente tratados e revelaram que as concentrações de Ca (cálcio), Cd (cádmio), Cu (cobre), Mn (manganês), Na (sódio) e Zn (zinco) excedem muito os valores máximos permissíveis para alguns pontos amostrados tornando-os inservíveis ao consumo humano e à manutenção de uma adequada qualidade ambiental.

Quais foram as conclusões?

A análise da qualidade da água para os diferentes parâmetros mostrou que indústrias de curtume e metalúrgica ainda desempenham um papel fundamental na poluição dos corpos hídricos adjacentes tornando-os inservíveis ao consumo humano e à manutenção de uma adequada qualidade ambiental, devido às altas concentrações de Ca, Cd, Cu, Mn, Na e Zn.

Quem deveria conhecer seus resultados?

Gestores públicos, organizações estaduais de meio ambiente, ministérios públicos estaduais, organizações da sociedade civil, pesquisadores acadêmicos e o público em geral.

Ricardo Soares é graduado em química industrial pela UFF, com mestrado e doutorado em geociências pela mesma instituição. Iniciou pós-doutorado junto ao Instituto de Química da UFRJ, tendo sido agraciado com a "Bolsa Nota 10 - Pós-Doutorado", mas interrompeu para assumir o cargo de analista ambiental do Instituto Estadual do Ambiente (INEA).

Referências

  • SOARES, R. Origem, distribuição e biodisponibilidade de metais em águas, sedimentos e solos de um trecho da sub-bacia do Rio Paraibuna, MG, Brasil. Tese de Doutorado. Universidade Federal Fluminense, Instituto de Química, 2011.
  • FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE (Belo Horizonte, MG). Relatório da lista de áreas contaminadas do estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: 2009. 470 p.
  • JORDÃO, C. P.; PEREIRA, J. L.; GOUVEA, L. C.; PEREIRA, J. C.; BRUNE, W. Contaminação de sedimentos fluviais por metais pesados nas proximidades de uma indústria metalúrgica em Minas Gerais. Geochimica Brasiliensis, v. 4, p. 9-15, 1990.
  • JORDÃO, C. P.; PEREIRA, J. L.; JHAM, G. N. Chromium contamination in sediment, vegetation and fish caused by tanneries in the State of Minas Gerais, Brazil. The Science of the Total Environment, v. 207, p. 1-11, 1997.
  •  JORDÃO, C. P.; SILVA, A. C.; PEREIRA, J. L.; BRUNE, W. Contaminação por crômio de águas de rios provenientes de curtumes em Minas Gerais. Química Nova, v. 22, p. 47-52, 1999.

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