Dissertação: Percorrendo fronteiras e ultrapassando limites: o uso da análise fílmica como potencialidade no ensino de geografia

Autor

Daniel Moreira de Souza, UFMG

Lattes

Orientadora

Rogata Soares Del Gaudio

Área e sub-área

Ensino, Cinema, Geografia

Defendida em

UFMG, IGC/UFMG - 11/08/2016

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Esta pesquisa analisou de que modo a crítica cinematográfica contribui para a compreensão de alunos acerca do ensino de geografia.

Entre as conclusões, o autor destaca que o entendimento de elementos fílmicos como montagem, direção de arte e a linguagem cinematográfica de forma geral ajudam na apreensão de conceitos da geografia, como a ideia de fronteira. O pesquisador realizou sua pesquisa por meio de cinco intervenções em sala de aula.

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A qual pergunta a pesquisa responde?

Conhecer a linguagem cinematográfica, por meio de seus pressupostos e códigos, tais como montagem, direção de arte, movimentos de câmera e figurino, pode potencializar o ensino de geografia?

Por que isso é relevante?

Existem poucas pesquisas em educação e cinema que se ocupem da construção crítica do aluno acerca da linguagem cinematográfica. Em geral, as pesquisas nessa área visam transformar os alunos em criadores de audiovisuais e/ou abordar o uso do cinema/audiovisual em sala de aula ligado a conteúdos programáticos, tais como filmes sobre globalização e etc. Esta pesquisa vai em outra direção, numa ideia de educar o olhar para a análise fílmica por meio do entendimento das funções estilísticas do cinema como direção, atuação e enquadramentos. Por exemplo, o que nesse tipo de enquadramento adotado pelo diretor pode nos auxiliar a entender sobre a segregação urbana no filme "O Som ao Redor"?

Resumo da pesquisa

O objetivo desta pesquisa é entender a potencialidade da análise fílmica no ensino de geografia. Adotando a fronteira como categoria de análise, buscamos, por meio das funções estilísticas da linguagem do cinema (enquadramento, direção de arte e movimentos de câmera), analisar se elas potencializam o ensino da categoria fronteira em sala de aula. Seguindo os pressupostos da Aprendizagem Significativa (Ausubel), e adotando instrumentos de intervenção da Pesquisa-ação (Thiollent), buscamos elucidar se os alunos do segundo ano do ensino médio-técnico do curso de meio ambiente do Cefet-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais) potencializaram seus conhecimentos acerca do conceito de fronteira utilizando a análise fílmica. Foram realizadas cinco intervenções em sala de aula com o intuito de aplicar a teoria da aprendizagem significativa para considerar se de fato a análise fílmica potencializa o ensino de geografia.

Quais foram as conclusões?

Como nossa pergunta era avaliar se conhecer os conceitos da linguagem cinematográfica potencializa o ensino de geografia, após as cinco intervenções concluímos que sim, o entendimento das funções estilísticas do cinema no pior dos cenários, alongava o conhecimento prévio dos alunos sobre a geografia, em especial, o conceito de fronteira. Mas por se  tratar de uma pesquisa, ainda há necessidade de mais estudos para desenvolver métodos e metodologias didáticas que usem da linguagem do cinema por meio da análise fílmica para que os alunos possam de fato potencializar o ensino-aprendizagem de geografia.

Quem deveria conhecer seus resultados?

De uma maneira geral, professores e faculdades de educação que devem pensar com carinho acerca da pesquisa e da implementação de métodos e metodologias didáticas para o ensino de geografia por meio da linguagem do cinema. Sair do mesmo e pensar o cinema/audiovisual como processo de construção imagética e não apenas como forma de usá-la como ilustração de conteúdos programáticos, tal como escolher um filme com o tema só pelos diálogos e atuações relativos a determinado conteúdo. Elementos como enquadramento, figurino e direção de arte, por exemplo, podem fazer com que o aluno entenda melhor conceitos como globalização ou urbanização. Vou sempre lembrar do aluno que durante a pesquisa me fez perceber como as cores vermelha, amarela, preta e branca aparecem na fotografia no início do filme "Adeus Lênin", ressaltando as cores da bandeira alemã. Logo eu que já tinha visto o filme 15 vezes e nunca tinha percebido isso aprendi com ele. Até mesmo cineastas e críticos de cinema podem utilizar essa pesquisa para criar obras audiovisuais para/com fins didáticos.

Daniel Moreira de Souza é mestre em geografia pela UFMG, professor bacharel-licenciado da rede particular de ensino de Belo Horizonte e pesquisador na interseção entre o ensino de geografia/linguagem cinematográfica e teorias de aprendizagem.

Referências:

  • AUSUBEL, David. P. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva Cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003.
  • BORDWELL, David; THOMPSON, Kristin. A Arte do Cinema: Uma introdução. Campinas/São Paulo: Ed. Unicamp/Edusp, 2013.
  • FOUCHER, Michel. Obsessão por Fronteiras. São Paulo: Radical Livros, 2009.
  • THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-Ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

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