Dissertação: "Preservação e restauro das obras de Mary Vieira em espaços públicos no Brasil"

Autor

Pedro Augusto Vieira Santos, Universidade de São Paulo

Lattes

Orientadora

Beatriz Mugayar Kühl

Área e sub-área

História e fundamentos da arquitetura e do urbanismo, História e preservação

Defendida em

Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo 28/04/2015

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Mary Vieira foi uma artista conhecida pelo seu trabalho como escultora. Ela nasceu em São Paulo em 1927 e morreu em 2001 na Basiléia, na Suíça, para onde havia se mudado nos anos 1950. Esta pesquisa concentra-se em quatro obras de Vieira instaladas em espaços públicos diferentes em quatro cidades brasileiras.

A partir da análise dessas obras, o arquiteto e urbanista Pedro Augusto Vieira Santos faz uma reflexão sobre a prática da preservação. O autor constata o “lamentável estado de conservação em que muitas obras se encontram – quando não são destruídas –” e chama atenção para a necessidade de uma reflexão teórica-conceitual sobre o tema do restauro, bem como sobre a problematização do papel que o poder público deveria assumir frente a esse cenário.

A qual pergunta a pesquisa responde?

A preservação e o restauro de obras de arte de períodos recentes em espaços públicos conformam o tema da pesquisa, que tem como objetos as obras de Mary Vieira no Brasil localizadas em Belo Horizonte, Brasília, Poços de Caldas e São Paulo. (Monovolume: liberdade em equilíbrio; Polivolume: ponto de encontro; Boate Azul e Polivolume: conexão-livre, respectivamente). O restauro, como ato de cultura, deve ser calcado em reflexões teórico-conceituais que balizam intervenções técnico operacionais, sempre guiadas pela própria obra a ser restaurada.

A dissertação apresenta uma investigação da produção da artista, com especial atenção à sua contribuição para se pensar o espaço público, bem como uma revisão dos aportes teóricos disponíveis no campo da restauração, sobretudo no que diz respeito às novas problemáticas colocadas pelas produções moderna e contemporânea. Com o objetivo de registrar o estado atual de conservação das obras citadas e refletir sobre possíveis intervenções, a pesquisa busca evidenciar a existência de uma unidade metodológica, que pode conduzir trabalhos em obras de arte e arquitetura, antigas e recentes.

Por que isso é relevante?

A crescente privatização e especialização dos lugares de produção e exibição de arte torna relevante a discussão acerca da arte no espaço público. O lamentável estado de conservação em que muitas obras se encontram – quando não são destruídas – tornam urgente uma reflexão teórica-conceitual do tema do restauro, bem como a problematização do papel que o poder público deveria assumir frente a esse cenário. Finalmente, a pesquisa contribui para uma revisão da obra da artista Mary Vieira, ainda pouco reconhecida no Brasil.

Resumo da pesquisa

Três temas são articulados na dissertação: a produção de Mary Vieira, questões de preservação e restauro, e o espaço público. Em três capítulos principais, a pesquisa debruça-se primeiro na análise de quatro obras da artista, feitas em datas e espaços públicos diferentes pelo Brasil, depois discute a teoria da restauração, e, por fim, faz considerações sobre as patologias de cada obra analisada e indica proposições de restauro.

Quais foram as conclusões?

Conclui-se, na pesquisa, que é necessária a colaboração entre história e crítica de arte e restauro. As disciplinas não se sobrepõem, mas se nutrem umas das outras para a elaboração de dados novos. A constatação do péssimo estado de conservação das obras de Mary Vieira em espaços públicos nos leva a reconhecer a relevância de sua produção, dentro de um contexto artístico mas também de um contexto arquitetônico e urbano. Dessa constatação também se concluiu como os órgãos responsáveis – pelo patrimônio e pela conservação do espaço público, nas esferas municipal, estadual ou federal – carecem de infraestrutura e corpo de funcionários adequados às atividades que desempenham perante à sociedade. Finalmente, constata-se a necessidade de reconhecer o restauro como ato de cultura, e reconhece-se uma unidade metodológica que possa ser aplicada a obras de arte e arquitetura, antigas e de períodos recentes.

Quem deveria conhecer seus resultados?

A pesquisa volta-se aos interessados na produção artística contemporânea, especialmente aquela desenvolvida na segunda metade do século 20 e no espaço público, e especificamente a obra de Mary Vieira. Volta-se também a pesquisadores da área do patrimônio e da disciplina do restauro, uma vez que traz uma revisão dos temas e da bibliografia disponível, até então, no que diz respeito a novas problemáticas, teóricas e conceituais – especificamente em relação ao restauro da arte contemporânea.

Pedro Augusto Vieira Santos é arquiteto e urbanista, mestre e doutorando pela FAU USP, na linha de pesquisa História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo. Desde 2005, realiza pesquisas sobre a artista Mary Vieira. Foi contemplado com o prêmio Rumos Itaú Cultural em 2009 e com a Bolsa Pampulha 2015-2016. Suas pesquisas buscam articular os temas produção artística contemporânea, preservação e restauro, e espaço público. É editor-fundador da Ikrek Edições e professor na Escola da Cidade.

Referências

  • ALTHÖFER, Heinz. Il restauro delle opere d’arte moderne e contemporanee. Florença: Nardini, 1991.
  • BRANDI, Cesare. Teoria da restauração. Tradução Beatriz Mugayar Kühl. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2004.
  • FREIRE, Cristina. Além dos mapas: os monumentos no imaginário urbano contemporâneo. São Paulo: Annablume, 1997.
  • KÜHL, Beatriz Mugayar. Preservação do patrimônio arquitetônico da industrialização: problemas teóricos de restauro. Cotia: Ateliê Editorial, 2008.
  • MATTAR, Denise (curadoria). Mary Vieira: o tempo do movimento. São Paulo: Centro Cultural Banco do Brasil; Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2005.

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